O peso do caixa no B2B
Na cadeia de eventos, o fluxo financeiro raramente é neutro. Em muitos casos, quem executa o projeto acaba financiando a operação antes de receber por ela. Os dados do IMD 2025/26 — Índice de Maturidade Digital e de Inteligência Artificial do setor de eventos mostram que esse padrão não é pontual. Ele é estrutural — e varia de forma clara entre eventos B2B e B2C.
Segundo o IMD 2025/26, produtores que atuam principalmente em eventos B2B recebem, em média, 38 dias após a entrega, enquanto realizam pagamentos a fornecedores em cerca de 23 dias.Na prática, isso significa que o produtor antecipa o caixa por aproximadamente duas semanas para viabilizar o evento. O risco financeiro fica concentrado em quem organiza, contrata e executa.Esse modelo exige capital de giro, previsibilidade e capacidade de absorver atrasos — condições que nem sempre estão disponíveis.
Quando o dinheiro entra antes: o efeito do B2C
Nos eventos B2C, a lógica é diferente. A venda antecipada de ingressos faz com que o recebimento ocorra antes da execução, muitas vezes com semanas ou meses de antecedência.Esse fluxo altera profundamente a dinâmica da operação. Não por acaso, o IMD 2025/26 mostra que 40,7% dos eventos B2C estão nas faixas mais altas de maturidade digital, enquanto apenas 23,7% dos eventos B2B atingem esse mesmo patamar.
O caixa antecipado cria espaço para:
> Planejamento,
> Organização de dados,
> Integração de processos,
> e decisões menos reativas.
O desequilíbrio vai além do financeiro
Quando colocamos esses dados lado a lado, fica claro que o problema não é apenas prazo de pagamento.
Modelos em que o dinheiro entra depois:
> Operam sob pressão constante;
> Priorizam execução em detrimento de estrutura;
> Têm menos margem para erro.
Modelos em que o dinheiro entra antes:
> ganham previsibilidade;
> conseguem estruturar melhor processos;
> avançam mais rápido em maturidade digital.
O IMD 2025/26 mostra que quem financia a operação também financia — ou limita — a capacidade de evoluir.
Um aprendizado central do IMD 2025/26
A maturidade digital no setor de eventos não depende apenas de tecnologia ou intenção. Ela depende de modelo financeiro.Enquanto o risco e a antecipação de caixa continuarem concentrados em quem executa, o avanço em organização, dados e decisões seguirá desigual.
Entender quem financia quem é um passo fundamental para repensar contratos, prazos e a própria sustentabilidade do setor.
O IMD 2025/26 — Índice de Maturidade Digital e de Inteligência Artificial — é um estudo realizado pela ABRAPE em parceria com a Peppow.
O relatório completo está disponível no site da ABRAPE.
No Hub IMD da Peppow, publicamos leituras práticas e análises aplicadas a partir dos dados do estudo.

