Orçamento sem previsibilidade é risco disfarçado

O IMD 2025/26 mostra que o maior problema do orçamento em eventos não é errar valores — é operar sem histórico, sem padrão e sem aprendizado acumulado.

Orçar um evento é, quase sempre, um exercício de aproximação. Custos variam, escopos mudam e decisões precisam ser tomadas antes de todas as informações estarem disponíveis.O problema não está nisso.
O problema começa quando cada orçamento nasce do zero.Os dados do IMD 2025/26 — Índice de Maturidade Digital e de Inteligência Artificial do setor de eventos indicam que, em grande parte do setor, o orçamento ainda é tratado como um documento pontual — e não como um processo que aprende ao longo do tempo.

Quando o histórico não existe, o risco aumenta

O IMD 2025/26 mostra que decisões financeiras ainda são pouco apoiadas por dados estruturados: apenas 21,6% dos respondentes utilizam IA para apoiar decisões financeiras, como orçamento e precificação.

Esse número não aponta falta de interesse por tecnologia. Ele reflete a ausência de base histórica confiável.

Sem registro consistente de custos reais, desvios e ajustes por projeto, o orçamento vira:

> Uma estimativa isolada;
> Difícil de comparar;
> Pouco reutilizável.

O risco não aparece na planilha.
Ele aparece depois, na execução.

Comunicação rápida, aprendizado lento

Outro achado do IMD 2025/26 ajuda a entender esse padrão. 68,9% das empresas utilizam o WhatsApp como principal canal de comunicação, e 50% recorrem a mensagens diretas em redes sociais para tratar temas operacionais e comerciais.

É nesse ambiente que muitos ajustes de orçamento acontecem:

> Mudanças de escopo,
> Renegociações,
> Decisões emergenciais.

Quando essas informações não são registradas de forma estruturada, o orçamento não aprende com a execução. Cada novo projeto repete as mesmas incertezas do anterior.

O efeito no caixa e na maturidade digital

O impacto vai além do controle financeiro. O IMD 2025/26 mostra que modelos com menor previsibilidade de caixa — especialmente no B2B — tendem a operar sob pressão constante.

Nesse contexto:

> O orçamento vira defesa, não ferramenta de decisão;
> Margens são comprimidas;
> Investimentos em organização e método são adiados.

Não por acaso, eventos B2C — que recebem antes da execução — apresentam níveis mais altos de maturidade digital, com 40,7% nas faixas mais altas, contra 23,7% no B2B. Previsibilidade cria espaço para método.

Orçamento maduro é processo, não arquivo

Os dados do IMD 2025/26 sugerem que maturidade orçamentária não depende de modelos complexos. Ela depende de consistência.

Empresas mais maduras tendem a:

> Registrar custos reais por projeto;
> Comparar orçado x realizado;
> Reaproveitar histórico;
> Ajustar critérios ao longo do tempo.

Quando isso acontece, o orçamento deixa de ser uma aposta isolada e passa a ser uma ferramenta de gestão de risco.

Um aprendizado central do IMD 2025/26

No setor de eventos, o maior risco não é errar o orçamento.
É não aprender com ele.

Enquanto o orçamento for tratado como um arquivo descartável, a previsibilidade continuará baixa — e as decisões financeiras, frágeis.

O IMD 2025/26 mostra que quem transforma orçamento em processo decide melhor, assume menos risco e sustenta crescimento com mais consistência.

O IMD 2025/26 — Índice de Maturidade Digital e de Inteligência Artificial — é um estudo realizado pela ABRAPE em parceria com a Peppow.
O relatório completo está disponível no site da ABRAPE.
No Hub IMD da Peppow, publicamos análises práticas sobre como esses dados se traduzem em decisões reais.

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