Resumo
A Inteligência Artificial já faz parte da rotina de quem trabalha com eventos. Ela ajuda a escrever propostas, organizar apresentações, estruturar comunicações e ganhar velocidade no dia a dia.
Os dados do IMD 2025/26 — Índice de Maturidade Digital e de Inteligência Artificial do setor de eventos — confirmam essa percepção. Segundo o estudo, 78,4% das empresas e profissionais do setor utilizam IA para criação de conteúdo, como textos, apresentações e materiais de comunicação.
O paradoxo aparece quando olhamos para outro lado da operação. Apenas 21,6% dos respondentes afirmam utilizar IA para apoiar decisões financeiras, como orçamento, precificação ou análise de custos. Ou seja: a tecnologia já está presente, mas ainda pouco conectada aos pontos mais sensíveis da gestão.
Esse descompasso não acontece por falta de interesse nem por desconhecimento da ferramenta. Ele está ligado à forma como o setor organiza — ou deixa de organizar — suas informações.
A IA chega onde o risco é menor
Criar textos, apresentações ou respostas com IA exige pouco contexto e envolve baixo risco. Mesmo quando o resultado não é ideal, o impacto costuma ser limitado.
Já decisões financeiras exigem outra base: histórico confiável, dados organizados e processos minimamente integrados. E é exatamente aí que o IMD 2025/26 identifica um ponto de fragilidade recorrente.
O estudo mostra que 68,9% dos respondentes utilizam o WhatsApp como principal canal de comunicação com clientes e fornecedores, e que 50% recorrem a mensagens diretas em redes sociais para tratar temas comerciais e operacionais. Isso indica que uma parte relevante das informações críticas da operação — negociações, ajustes de escopo, mudanças de preço, combinações com fornecedores — ainda circula fora de sistemas estruturados.
Quando a informação nasce fora dos sistemas, a IA não encontra base suficiente para apoiar decisões.
O problema não é a IA, é a estrutura
O IMD 2025/26 reforça que maturidade digital no setor de eventos não está ligada ao porte da empresa nem à quantidade de ferramentas adotadas.
Ela está ligada à forma como a operação é organizada.
Em contextos onde contratos, orçamentos, pagamentos e recebimentos não se conectam, decisões financeiras tendem a ser reconstruídas a cada novo projeto. O histórico existe, mas não está estruturado o suficiente para gerar aprendizado contínuo.
Nesse cenário, a IA acaba sendo usada onde exige menos contexto — na criação — e não onde poderia gerar mais impacto — na decisão.
Onde a IA começa a fazer diferença
O salto de maturidade não começa com soluções sofisticadas. Ele começa com organização básica.
Perguntas simples — como quanto tempo se leva para receber em cada tipo de projeto, onde os custos mais variam ou quais decisões se repetem sem aprendizado — só podem ser respondidas quando os dados existem, estão registrados e se conectam.
Sem essa base, a IA permanece periférica. Com ela, passa a apoiar decisões reais.
Um aprendizado central do IMD 2025/26
O paradoxo da IA no setor de eventos não é tecnológico. Ele é estrutural.
Enquanto a informação continuar fragmentada e fora dos sistemas, a IA seguirá sendo eficiente para criar — e limitada para decidir. E isso ajuda a explicar por que, apesar da adoção crescente, o impacto mais profundo ainda não chegou ao caixa.
O IMD 2025/26 — Índice de Maturidade Digital e de Inteligência Artificial — é um estudo realizado pela ABRAPE em parceria com a Peppow.
O relatório completo está disponível no site da ABRAPE.
No Hub IMD da Peppow, publicamos leituras práticas e análises aplicadas a partir dos dados do estudo.